Varejo.info - Capítulo 2: Mudanças, Mudanças e Mudanças

Artigos - 23 de julho de 2020

 

No último artigo tivemos o prazer de viajar no DeLorean do Doc Brown e ver como era o varejo há alguns meses. Um mundo bem distante e que fica há apenas 4 meses daqui. (Link Capítulo 1: Você ainda lembra?).

 

Hoje vamos falar sobre algo que sempre foi constante na vida do empreendedor, mas que atualmente entrou no modo ultravelocidade: mudanças. O que era o dia-a-dia, o arroz com feijão: vender presencialmente, sumiu. Da noite para o dia a loja fechou e sem previsão para reabrir. Algo que ninguém poderia estar preparado ou ter um plano de ação pronto. Apenas uma coisa mudou: tudo.

 

O desafio: mudar

 

Mudanças sempre foi um assunto delicado. Existem pessoas que não vivem sem e outras que só de ouvir já surtam. Há quem fique buscando sempre o que tem de mais novo para ser um earlier adopter (adotante inicial) e quem prefira a espuma leve depois da onda.

 

Não acredito que exista uma única resposta certa. Ou que seja possível declarar que só é vencedor quem chega primeiro, quem é pioneiro. Pelo contrário, assim como Peter Thiel diz em seu livro Zero a Um: é melhor ser o último a chegar em um mercado cheio e dominá-lo, do que ser o primeiro em um mercado vazio. Ou seja, é melhor ser o último a lançar seu produto, mas ele ser tão bom, tão adequado em atender o cliente que mais ninguém consiga tomar isso de você, do que simplesmente ser o primeiro a criar um produto que ninguém quer comprar.

 

Acredito que exista uma grande diferença também entre ser: pioneiro e ser prematuro. Muitas ideias de negócio do varejo brasileiro eram certas, porém prematuras para o momento. Quando há 6 meses ou 1 ano se pensava em uma ação de take-away ela fazia sentido: você levar um cliente que já comprou para o ponto físico na intenção de reduzir filas, o que é bom para o comerciante e para o consumidor. Algumas empresas inclusive já estavam fazendo. Porém não era vital. Ficar na fila era algo aceitável. Agora, em meio a pandemia do covid-19, falar em take-away é inovação necessária. Não ficar na fila deixou de ser um simples capricho ou facilitador, é questão de saúde pública. Falar hoje sobre take-away é algo normal.

 

Adequação ao que importa: cliente e sua realidade

 

O verdadeiro ponto não é se chega primeiro ou se chega por último. O ponto que determina o sucesso do varejo é se ele atende a necessidade do cliente. Se o produto e serviço satisfazem, se geram recompra e indicações. Toda mudança que as empresas foram forçadas a fazer aconteceram para que se adequassem a uma nova realidade: o cliente quer e precisa consumir de forma remota.

 

O ponto crucial para se manter vivo é entender e abraçar essa mudança. Não adianta se iludir e achar que quando a pandemia acabar tudo vai voltar como era. Isso não vai acontecer. Como diz a música do Foo Fighters: There is no way back from here - Não existe caminho de volta a partir daqui.

 

O consumidor vai sim voltar a comprar no físico quando voltar a sair de casa. Isso é natural. Mas ele não vai parar de comprar online, pesquisar online e até decidir online - usando a loja física apenas para efetuar o pagamento ou retirar o produto que já comprou. Ou quem sabe apenas tocar e experimentar o produto, para sair da loja e pedir pelo celular ali na frente mesmo.

 

Essa é a nossa nova realidade e as empresas que desejam viver os próximos anos - adequadas aos seus clientes - precisam atender essa nova necessidade. Quer sejam empresas mais dispostas a inovar ou quer sejam mais conservadoras, a presença no digital não é mais uma aventura, é tão real que se não estiver no mundo virtual, simplesmente não existe no mundo real. Aliás, o que de fato é real ou virtual agora?

 

Esse vai ser o assunto do nosso próximo Capítulo! Até mais!

 

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